Uma vitória dos municípios mineiros

A prioridade da AMM é garantir que a desestatização da Copasa não signifique descontinuidade de serviços ou tarifas impagáveis
Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Copasa, vista de cima
Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Copasa em Almenara. Foto: divulgação/Copasa.

Os municípios mineiros foram, finalmente, incluídos na mesa de negociação que definirá o modelo de privatização da Copasa. Essa inclusão não é um favor, mas um imperativo democrático e administrativo – algo, aliás, que deveria ter acontecido desde o início desse processo, proposto pelo governo de Minas Gerais e aprovado, no fim do ano passado, pela Assembleia Legislativa do estado. Afinal, são as prefeituras as detentoras das concessões e os prefeitos os primeiros a serem cobrados pela população quando a água falta ou a conta sobe.

Os municípios puderam avançar neste diálogo pela primeira vez na última quinta-feira (23/04), durante uma assembleia mediada pela Associação Mineira de Municípios (AMM), com a presença da presidente da Copasa, Marília Carvalho de Melo, e representantes das prefeituras mineiras. Entre os 853 municípios do estado, pelo menos 636 têm contratos vigentes com a empresa. Pelo menos 11,8 milhões de mineiros dependem dos seus serviços de fornecimento de água, e outros 8,8 milhões pagam não só pela água, como também pela coleta e tratamento de esgoto.

A prioridade da AMM é garantir que a desestatização não signifique descontinuidade de serviços ou tarifas impagáveis, especialmente para os pequenos municípios ou deficitários, que não possuem o poder de barganha de uma capital. Por isso, a partir de 28 de abril, instalaremos na sede da AMM uma mesa de negociação permanente entre municípios e a Copasa, com atendimentos mediante agendamento pelo telefone (31) 98207-7667. Não queremos que nenhum prefeito assine repactuações ou novos contratos sem entender o impacto real para sua cidade.

As prefeituras vão dispor de uma assessoria técnica e jurídica disponibilizada pela AMM para analisar as especificidades, necessidades e problemas de cada município nas negociações com a Copasa. Avançamos também em soluções financeiras. A empresa está oferecendo aos municípios a possibilidade de antecipação do repasse tarifário que deposita no Fundo Municipal de Saneamento, regulamentado pela Arsae, referente ao período entre setembro deste ano e dezembro de 2028. Dependendo da adesão dos municípios, esse valor pode ultrapassar os R$ 350 milhões. Atualmente, esses repasses são limitados a 4% da receita líquida mensal.

Diante das exigências do Novo Marco do Saneamento para que 90% do esgoto das cidades brasileiras seja coletado e tratado até 2033, a Copasa está se comprometendo ainda em adiar para 2029 as cobranças de tarifas, juntamente com o início de operação do sistema e escalonamento dos investimentos da empresa naquelas cidades onde já opera os serviços de abastecimento de água e, com a repactuação do contrato, passa a assumir também o serviço de esgotamento sanitário.

Uma vitória, sem dúvida, para todos os mineiros, que marca o fim de um período em que as cidades eram meras espectadoras de decisões tomadas em gabinetes distantes.

*Presidente da Associação Mineira dos Municípios (AMM) e prefeito de Iguatama

O prefeito de Iguatama, Lucas Vieira Lopes, é o atual presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM). Advogado formado pela Universidade de Itaúna, iniciou sua trajetória política com foco no fortalecimento do municipalismo. Eleito prefeito em 2020 e reeleito em 2024 com ampla votação, destaca-se por uma gestão voltada ao desenvolvimento social e investimentos em áreas essenciais. Com atuação crescente no cenário estadual, já ocupou a diretoria regional Centro-Oeste da AMM e a vice-presidência da entidade, consolidando-se como uma liderança comprometida com o diálogo, a escuta dos municípios e a defesa das pautas municipalistas em Minas Gerais.

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